CONCEITUALIZAÇÃO COGNITIVA NA VELHICE: Uma Abordagem da Terapia Cognitivo-Comportamental com Enfoque em Doenças Crônicas e Mudanças no Papel Social
DOI:
https://doi.org/10.5935/1984-9044.2025014Palavras-chave:
Terapia Cognitivo-Comportamental, Velhice, Doenças crônicas, Papel social, Conceitualização cognitivaResumo
O envelhecimento humano envolve transformações biológicas, sociais e subjetivas que, quando atravessadas por doenças crônicas e mudanças no papel social, podem repercutir em sofrimento psíquico. A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), por meio da conceitualização cognitiva, oferece um modelo clínico eficaz para compreender e intervir sobre os pensamentos e crenças que sustentam esse sofrimento na velhice. Este artigo de revisão discute os fundamentos da conceitualização cognitiva na TCC e sua aplicabilidade junto à população idosa, com atenção especial às vulnerabilidades decorrentes do adoecimento físico e da ruptura com papéis produtivos. Rompendo com visões reducionistas que associam a velhice exclusivamente à decadência e à improdutividade, a reflexão proposta articula contribuições teóricas de autores como Beck, Papalia e Feldman, Caradec e Bosi para uma leitura crítica da construção social da velhice. Argumenta-se que o envelhecimento pode ser um momento de ressignificação da identidade, desde que haja espaço clínico e social para isso, enfrentando a estigmatização, a medicalização do corpo idoso e os discursos normativos da indústria farmacológica que reforçam ideais de juventude. Ao reconhecer a pluralidade das experiências de envelhecer, a TCC se mostra um instrumento potente de cuidado psicológico e promoção da qualidade de vida na terceira idade.